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Polícia investiga comércio ilegal de carteiras de motorista falsas

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18/10/2017 15:26:48

A Polícia Civil investiga o comércio ilegal de carteiras de motorista falsas no Rio Grande do Sul. Golpistas publicam os anúncios em redes sociais e usam informações sigilosas do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS) para negociar os documentos. As informações são do G1 RS.

"É emitida num prazo de sete dias. Até três dias ela já está no sistema para sua averiguação. Após ela estar impressa, a gente vai mandar a foto para o senhor, vai despachar. Quando chegar em mãos, o senhor acerta o valor da terceira parcela. Se o senhor quiser fazer a transferência para o Rio Grande do Sul é R$ 350 a mais no valor", diz um dos golpistas por telefone.

A denúncia foi feita por um corretor de imóveis de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, que preferiu não se identificar. Depois de ler uma oferta em uma rede social, ele entrou em contato em busca de informações para denunciar o golpe, que também é praticado por uma mulher.

"Ela se identificava como se trabalhasse dentro do Detran. Ela tinha um perfil no Facebook que confirmava bastante isso, com fotos com identificação do Detran", conta.

O corretor já tinha iniciado o processo para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Ele informou o número da identidade e a golpista mostrou que sabia a categoria, o mês em que os documentos deram entrada e até mesmo o centro de formação de condutores escolhido.

"Ela fez uma pesquisa com o número do meu RG para ver como estava a minha situação junto ao Detran. E ali estava que eu iniciei as aulas e não conclui. Ela me disse nas conversas que em cinco dias ela me entregaria a carteira sem precisar fazer as provas", afirma.

O custo para conseguir a carteira seria de R$ 1,4 mil. Desse valor, R$ 800 só para ser aprovado na prova prática. A pedido da reportagem, o diretor técnico do Detran-RS, Mauro Delvaux, checou os dados repassados ao candidato pela falsária, e constatou que as informações estão corretas.

Parte das informações está disponível na internet para quem tem o RG do candidato, mas só quem tem acesso ao sistema sabe em qual centro de formação o candidato está matriculado. "É possível que tenha algum profissional que tenha passado essa informação, isso a gente não tem como saber. Possível é passar informação sobre o CFC que é, em que CFC ele será examinado, mas teríamos que comprovar isso", ressalta Delvaux.

O diretor do órgão explica que a escolha dos examinadores que aplicam as provas é feita por sorteio em computador, e que acontece um rodízio, o que dificulta eventuais fraudes. A polícia vai investigar o golpe.

"É uma informação, em tese, privilegiada. Durante a investigação, vai ter que apurar se é um funcionário interno do Detran ou se foi repassada alguma senha para algum outro indivíduo que está tendo acesso ao sistema interno do Detran, para daí tomar uma medida possível e cabível", salienta o delegado Rodrigo Bozzetto, Diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

 
 
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